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{ Tag Archives } literatura

COMIDAS

O HORIZONTE RETO
METODICAMENTE
JANTOU
O SOL

( Júlio Paternostro – pseudônimo que alguém do grupo modernista utilizou para publicar este poema na Revista de Antropofagia 2ª Dentição – suplemento do Diário de São Paulo em 17/03/1929 )

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Citação do dia :

Que te demores, que me persigas
Como alguns perseguem as tulipas
Para prover o esquecimento de si.
Que te demores
Cobrindo-me de sumos e de tintas
Na minha noite de fomes.
Reflete-me. Sou teu destino e poente.
Dorme.

( Hilda Hilst )

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RICHIAMI

Quando dal sole sul mare di squame
scendono faville, mi fermo ed ascolto
il lento sciacquio dell’onda sonora.
L’onda si rompe sui gradi del molo
a spruzzi, a riccioli sparsi, danzante,
ora bianca, or rilucente… La terra
essa bacia e dice dolci parole;
indi si volge a un ignoto richiamo.

Odo pur io una voce lontana…
Mi sono dinanzi I dolci occhi pensosi
vivi di lampi improvvisi fugaci.
Tremo alla gioia allora e al pianto. Ardo
tutta nel cuore nei polsi nel viso.
Mi rivolgo. Il vento m’offende, sperde
le lacrime e irride crudele.

DESEJOS

Quando do sol sobre o mar de escamas
descem fagulhas, paro e escuto
o lento sacudir da onda sonora.
Quebra-se a onda nos degraus do cais
com borrifos, melenas esparsas, dançando
ora branca, ora reluzente… A terra
beija a onda e diz palavras doces:
depois retrai-se num desejo ignoto.

Escuto eu também uma voz distante…
Vejo adiante doces olhos pensativos
relampejantes improvisos fugazes.
Tremo de alegria então e choro. Ardo
tôda no coração, nos pulsos, no rosto.
Volto-me. Me ofende o vento e espalha
as lágrimas e gargalha, cruel.

( Úrsula Cottone – tradução : Oliveira Ribeiro Neto )

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“POLÍTICA LITERÁRIA

O poeta municipal
discute com o poeta estadual
qual dêles é capaz de bater o poeta federal.

Enquanto isso o poeta federal
Tira ouro do nariz”

( Carlos Drummond de Andrade )

Este poema de Drummond , escito há setenta anos , só não é mais profético pelos simples fato de que Serra , Alkmin e Lula não são poetas , são apenas prefeito , governador e presidente.

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Tive um tio-avô que era artista , chamava-se Pedro : poeta , ceramista , tradutor , aquarelista … foi diretor do Museu de Arte Sacra … hoje vou publicar um poema dele publicado no nº 89 da Revista da Academia Paulista de Letras , depois publico algumas traduções de poesias italianas que ele realizou …

SACI

Vento,
Vento,
Vento
Vento zumbe, vento zune, vento passa.
Vento. O campo é um turbilhão.
No meu cavalo alazão,
cavalo de cinco patas,
corto o campo, venço matas,
montado no meu destino
de ser aquele que sou.
A perna que está sobrando
no meu cavalo alazão,
é a perna que me faltou;
a perna que se tornou
audácia de saltar valos,
novo sentido de cego
que não vê mas que pressente,
de mim e do meu cavalo.
Vento
Vento
Vento
Vento zumbe, vento zune, vento passa.
Minha voz é um assobio
sem som, guiando o corrupio
em perpétuo desafio
às coisas do mundo. Fio
frio e fino com que guio
o corrupio do vento
nos campos em que sou rei.
Vento quente,vento frio,
Vento
Vento,
Vento.
Eu assobio, assobio
Montado no meu cavalo
Passo-passando-passei.

( Oliveira Ribeiro Neto )

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Citação do dia :

“O viajante

Eu sempre que parti, fiquei nas gares
Olhando, triste, para mim…”

( Mário Quintana )

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Citação do dia :

“O ventre de Maia confunde-se com o Sono, com o silêncio que precede a escrita, abrigo em que se renovam todos os Budas da terra, seio que gera visões oníricas e literárias (…) A noite completa o dia. Este não apaga o que a noite produz, mas traz à luz da consciência o que noite gera. No agora a noite revém. (…) A paz alcançada no budista bosque de bambu ou na tranqüilidade do sono não cobre a realidade toda. Temos que haver-nos, além da luz que brota da unidade, com os sentimentos múltiplos perdidos ou extraviados ao longo da vida. Tentar ordenar fragmentos é o jogo indeclinável do pensamento e da arte. Emergem as urgências que a luz tinha ofuscado, o livre exercício da sexualidade.”

( Donaldo Schüler )

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Citação do dia :

“Mas a juventude é apenas quando nos comportamos tipo assim como os animais. Não, não é bem tipo assim ser um animal, mas ser um daqueles brinquedos malenks (*) que você videia (**) sendo vendidos nas ruas, como pequenos tcheloveks (***) feitos de lata e com uma mola dentro e uma chave de corda do lado de fora e você dá corda nele e grr grr grr e ele vai itiando (****), tipo assim andando, Ó, meus irmãos. Mas ele itia numa linha reta e bate direto em coisas bang bang e não pode evitar o que está fazendo. Ser jovem é como ser uma dessas máquinas malenks.”

Glossário :
(*) malenk = pequeno
(**) videar = observar
(***) tchelovek = sujeito
(****) itiar = ir, andar

( Anthony Burgess – tradução : Fábio Fernandes )

Este fragmento foi extraído do último capítulo do livro “Laranja Mecânica” de Anthony Burgess … o que aqueles que só viram o filme não sabem , é que no livro tem um parte a mais … explico : é que Stanley Kubrick se baseou na versão americana do livro , na qual os editores cortaram o último capítulo . As versões que sairam em Pindorama não foram mutiladas ( ainda bem ) , pois se baseiam na versão inglesa com os 21 capítulos originais … outra coisa é a idade do protagonista … no filme , o ator que interpretou Alex ( Malcom McDowell ) tinha 28 anos , no livro ele tem 15 … Leiam , pois o livro é ao mesmo tempo fácil de ler , muito sofisticado em termos de linguagem e a tradução está muito boa …

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HAICAI PARA DUBLIN

the banishment.
loneliness does not disturb
but vastness.

o desterro.
não me incomoda solidão
mas vastidão.

( Eduardo Miranda )

O poema é do meu amigo Eduardo Miranda ( que está morando naquela cidade em que Leopold Bloom passou um dia memórável , uns tempos atrás ) , a tradução é minha.
Por falar em assuntos irlandeses , saiu hoje no jornal aquele ditado popular irlandês que diz : “a pint of Guinness a day , keeps the Doc away” ( Uma ampola de Guinness diária, mantém o médico longe da área ).

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Citação do dia :

” Das leis da natureza

Falar contra as mulheres…
Que ingenuidade a tua!
Dize-me, acaso queres
Ironizar as variações da lua? “

( Mário Quintana )

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