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{ Monthly Archives } dezembro 2010

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ATLÂNTICA GEOMETRIZAÇÃO

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DANÇANDO TANGO EM MEIO AS ORQUIDÁCEAS

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CALORES NOTURNOS

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O PRÉDIO

Desde pequeno Joelmo Vespasiano era apaixonado pelo plastomodelismo, ou seja adorava montar aqueles aviões, navios, tanques de guerra, carros, todos de plástico… depois pintava-os cuidadosamente, colava os decalques e os exibia nas prateleiras do alpendre no quintal da casa de seus pais em Moema… Quando foi estudar arquitetura, sua habilidade com aviõezinhos de montar fez com que fizesse as mais bonitas maquetes da faculdade… passou a ser requisitado para fazer maquetes para os escritórios dos professores e após a formatura abriu uma micro-empresa especializada no assunto… em pouco tempo a micro-empresa prosperou e ele passou a atender as grandes construtoras.

Em uma tarde morna de terça-feira o nosso protagonista recebeu a notícia que asua tia-avó Lalitas havia falecido… imediatamente ele se lembrou dos almoços na infância na casa da tia querida no bairro da Vila Mariana, onde costumava brincar com seus primos e primas no jardim junto ao tamarindeiro naquelas tardes quentes e perfumadas em que o sol entorpecia os sentidos com a suas radiações voluptosas… No velório começaram os boatos: a casa seria vendida…

Passados alguns meses ele recebeu a encomenda de uma construtora para executar uma maquete de um grande lançamento que iria ocorrer justamente na rua em que a sua tia Lalitas morava… ficou desconfiado e foi até o local averiguar: o prédio seria construído justamente onde era a casa de sua tia-avó e o pior: o tamarindeiro fora cortado!!!

Joelmo então começou a caminhar a esmo em meio a aquele bairro onde as residências estavam sendo esmagadas por aquele monte de prédios horrorosos: prédios chanfrados, prédios mediterrâneos, prédios revestidos com pastilhas, e o pior: prédios naquele estilo que Darcy Ribeiro denominou “Geisel-Funerário” (“Geisel” devido ao vidro fumê que lembrava os óculos escuros de nosso ex-presidente e “Funerário” devido ao mármore que revestia aqueles edifícios). Imediatamente quis recusar o serviço, mas lembrou-se que precisava pagar a prestação do apartamento onde morava, por sinal da mesma construtora que havia assassinado o pobre tamarindeiro… Parou então em um boteco, pediu uma cerveja e começou a pensar na vida… percebeu que no começo achava ótimo o que fazia, mas agora percebera que era apenas um joguete na mão das construtoras, que também graças as suas maquetes, apartamentos eram vendidos, mas para que isso ocorresse, casas eram demolidas, bairros eram degradados e jaqueiras, cajueiros, jabuticabeiras, limoeiros, mangueiras, seringueiras, ipês roxos, ipês amarelos, ipês brancos, enfim muitas e muitas árvores eram arrancadas!!!

Na véspera do lançamento o nosso protagonista entregou a maquete, por sinal feita com o maior capricho… porém no dia seguinte em meio ao coquetel reunindo corretores de um lado e novos-ricos do outro lado, Joelmo apareceu embriagado (de batida de tamarindo com gin) e fantasiado de romano, mais precisamente de Nero… antes que os seguranças pusessem impedi-lo, ateou fogo à maquete enquanto tocava harpa e cantava canções obscenas…

Nunca mais encomendaram suas maquetes, porém a performance virou notícia mundial e hoje Joelmo Vespasiano faz performances semelhantes na principais mostras de artes plásticas do planeta. Ainda mora em São Paulo, mas passou para frente o apartamento financiado e com o dinheiro que ganhou na Documenta de Kassel comprou uma casa antiga no bairro do Ipiranga onde seus filhos e sobrinhos brincam a sombra de bananeiras, laranjeiras e pés-de amora.

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Saiu a mais nova TUDA, apreciem…

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Citação do dia:

“Eu suportaria melhor meu estilo de vida se não tivesse consciência de que (só mentalmente, claro) estou acima dessa vulgaridade. Saber que tenho em mim mesmo, ou tive, elementos suficientes para galgar outra possibilidade, saber que sou superior, não muito, à minha esgotada profissão, às minhas poucas diversões, ao meu ritmo de diálogo: saber tudo isso, sem dúvida, não contribui para minha tranqüilidade, antes faz com que eu sinta mais frustrado, mais inepto a me sobrepor às circunstâncias. O pior de tudo é que não aconteceram coisas terríveis que me cerceassem (…), que freassem os meus melhores impulsos, que impedissem meu desenvolvimento, que me atassem a uma rotina anestesiante. Eu mesmo fabriquei minha rotina, mas pelo caminho mais simples: a acumulação. A segurança de me saber capaz para algo melhor me deu o controle da postergação, que no fim das coisa é uma arma terrível e suicida. Daí que minha rotina jamais tenha tido caráter nem definição; foi sempre provisória, sempre constituiu um rumo precário, a ser seguido apenas enquanto durava a postergação, apenas para agüentar o dever da jornada durante esse período de preparação que por certo eu considerava imprescindível, antes de me lançar definitivamente à concretização do meu destino.”

( Mário Benedetti – tradução: Joana Angelica D’Avila Melo )

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AS VEGETAÇÕES LUMINISCENTES & UM FIM DE TARDE NO HEMISFÉRIO SUL

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Li recentemente “POEMA SUJO” que o grande poeta maranhense escreveu em Buenos Aires em 1975, enquanto estava exilado… fiquem com um fragmento:

“É impossível dizer
em quantas velocidades diferentes
se move uma cidade

a cada instante
(sem falar nos mortos
que voam para trás)
ou mesmo uma casa

onde a velocidade da cozinha
não é igual à da sala (aparentemente imóvel
nos seus jarros e bibelôes de porcelana)
nem à do quintal
escancarado às ventanias da época

e que dizer das ruas
de tráfego intenso e da circulação do dinheiro
e das mercadorias
desigual segundo o bairro e a classe, e da
rotação do capital
mais lenta nos legumes
mais rápida no setor industrial, e
da rotação do sono
sob a pele,
do sonho
nos cabelos?”

(Ferreira Gullar)

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